Publicado em 21/05/17

Chipre, ponto estratégico do Mediterrâneo

Chipre é um destino pouco visitado por brasileiros, para ser sincero, nunca havia visitado em que não houvesse encontrado um outro brasileiro, e minha perplexidade não para por aqui, dois taxistas também me confessaram que não haviam encontrados nenhum brazuca!

Bom… brasilidades a parte, a pequena ilha do Chipre é um curioso território dividido em quase duas metades iguais. A maior parte forma a república do Chipre e possui claras tradições gregas, o idioma, o alfabeto, a gastronomia, mitologia e assim por diante. Já a outra parte (em torno de 40%) é ocupado por turcos quem 1974 invadiram o norte da Ilha, após um desacordo no período de independência junto aos britânicos. Atualmente o Chipre nem é turco, nem grego, é um país independente boiando entre potências militares e regiões em eterna ebulição. Ao norte Turquia, a leste Síria,  Líbano e Israel,  ao sul Egito, a oeste e sudoeste Tunísia e Grécia.

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Mapa do Chipre, ao norte território turco e ao sul parte independente.

O que você vai fazer no Chipre?

É longe, fato, mas você tem que ir. Chipre é um destino importante para você, que talvez como eu, queira desfrutar de uma incrível gastronomia, queira conhecer os traços das múltiplas culturas que engalfinharam pelo poder da pequena ilha ao sudeste do mediterrâneo.

Praias

As praias brasileiras são incríveis, verdade, mas as do Chipre valem a pernada. Destaque para as belezas das praias da região de Ayia Napa, imperdível, já as de Lemesos (Limassol) e do resto do país se destacam pela cuidado e infraestrutura que as circundam, pode-se alugar bicicletas e andar nas ciclo-faixas por exemplo, há também agradáveis vias de acesso para quiser correr, fazer esportes e tudo mais.

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Ciclo-faixa em Lemasos (Limasso), foto do autor, 2017

O povo

No período em que estive havia uma enxurrada de russos sedentos pelo calor do mediterrâneo, e se não fosse as atividades locais que tive por lá (estava nas festividades de um casamento, curiosamente de um descendente de turco, meu amigo Serkan e a cipriota Maria) talvez não encontrasse nativos. Minha pequena impressão e conversando com amigos que reforçaram o mesmo é que o cipriota é extremamente cuidados e amável com o turista. Para mim, gostar de um local está muito relacionando com gostar das pessoas, logo, gostei bastante o Chipre. Recomendo.

Comida

Comer é algo importante para mim, sei que você pensou:  – mas deve ser para todos, mas insisto, comer bem preenche minha alma. A comida cipriota que conheci está muito relacionada com a culinária mediterrânea, estamos falando de abundância de vegetais, de alimentos, além de azeite de boa qualidade e no caso especial muito bem condimentado.

Lembrei-me das delícias que conhece em Israel em que temperos enriqueciam alimentos frescos. Em um dos meus almoços desfrutei de um antepasto de berinjela ricamente temperado com alho, cebola, salsinha, pimentão vermelho e muito azeite, além de belíssimos cogumelos recheados com queijo feta, e um encorpado molho de tomates –  feta bougiourdi  –  com feta e pimentão verde de vermelho, pimenta vermelha e muito condimentos, tudo divino! Ah! Os queijos e laticínios são todos, além do feta que já citei, devem ser todos degustados, mesmo!

Problemas: infelizmente quase todos os restaurantes permitem que se fume dentro do estabelecimento. Avisos não funcionam, pois até alguns garçons fumam…

Cogumelos recheados com queijo feta do Monastiraki athens tavern, foto do autor, 2017

Sugestões para onde comer e comprar especiarias

The Nut Cracker House – Georgiu 1 st Ave., 4048 Potamos Germasogeia, Sunrise (Galatex) complex, 54 sho n. 10 +357 25 321 010.

Monastiraki athens tavern (comida grega)  na Germasogeia, Chipre +357 96 509706. Ambiente agradável, preço honesto;

Kipriakon – Old port, (comida internacional), +357 25 101555. Ambiente mais sofisticado, confortável, vista agradável e preços altos.

Deu fome? Madrugada? Há uma rede de estabelecimentos chamada Sigma, que podem salvar a sua pele, melhor seu faminto estômago. Entre muitos deliciosos pães assados por lá, há uma grande variedades de laticínios, entre queijos (edamer, muito bom!), manteigas e iogurtes (um deles feito de leite de ovelha e vendido em pote de barro da marca Kouroshis, divino!).

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Misturas prontas de temperos em exposição na The Nut Cracker House em Lemesos, Cyprus, foto do autor, 2017

História

Tenho viajado pelo um do em busca dos lugares mais relevantes e que foram cenários dos mais importantes fatos relacionados com a história das especiarias e o Chipre foi palco de muitos acontecimentos. Destaque para seu passado mitológico, a região noroeste da Ilha é famosa por ser berço de nada mais, nada menos do que Afrodite, a deusa do amor, fato largamente explorado no turismo. Já no período da supremacia helênica no mediterrâneo temos Alexandre o Grande que em sua voracidade por territórios, dominou o Chipre em  333 a.C, depois foi a vez dos romanos é claro, e com a queda de Roma no século IV, o  Chipre passou para as mãos dos bizantinos, cuja influência da igreja cristã oriental ortodoxa mantêm-se até hoje bem presente.

Seguindo a cronologia, a ilha assistiu à chegada do bárbaros exércitos cruzados que enxergaram no Chipre uma ótima parada antes de se aventurar na Terra Santa e em 1191 Ricardo Coração de Leão, em nome de Deus, tomou a ilha dos bizantinos cristãos e fez da ilha um local seguro para partir em conquista de Jerusalém e enfrentar seu épico inimigo Saladino, algo que nunca ocorreu e conquista que nunca se realizou.

Rua com o nome do rei inglês, um dos heróis do Ocidente nas Cruzadas
Rua com o nome do rei inglês Ricardo Coração de Leão, um dos heróis do Ocidente nas Cruzadas, foto do autor, 2017.

Anos depois, venezianos anexaram o Chipre que por seguidas vezes sofreu ataques já do poderoso Império Otomano que nessa altura já tinha feito de Constantinopla sua capital, renomeada de Istambul. Lemesos, por exemplo, foi toda destruída em 1539 pela fúria dos sultões turcos que em 1570 a anexaram ao seu vasto Império. Como muitas regiões, após a vertical descida do poder otomano, os britânicos ocuparam a ilha e sua independência foi forjada com a sempre desastrosa saída (a saída da Palestina e a formação do Estado de Israel passou pelo mesmo processo, guardada as devidas e cuidadosas proporções) do território que deu lugar aos conflitos entre turcos cipriotas até hoje.

Dicas para você que se convenceu e quer ir para o Chipre

Para quem vem do Brasil a única opção é voo com escala, para se ter uma idéia da lonjura, São Paulo- Londres gasta-se quase 11 horas de voo, mais uma conexão sempre longa de umas 4 horas seguidos pelo voo Londres-Larnaca de 5 horas. Pronto, chegou!

Em Larnaca, há muitas opções de táxis para se deslocar. Minha dica é que você separe no mínimo uns 7 dias  e divida sua hospedagem em 3 locais distintos, afinal a Ilha é grande e os deslocamentos de mais de 1 horas são comuns. Separe alguns dias em Larnaca para visitar bem a região de Ayia Napa, depois Lemesos (Limassol) e os últimos dias em Paphos.

Problemasalugar pode ser fácil, mas dirigir não. A “mão inglesa” não é recomendável para aqueles que não possuem prática. Eu mesmo, como pedestre sempre olhava para o lado errado para ver se havia carros…

Lemasos (Limassol)

Extensa rede hoteleira, repito extensa rede hoteleira, há muito hotéis, muitos mesmo. De qualquer maneira fuja da alta temporada, final de junho e agosto, onde provavelmente a ilha se torna a Moscou do mediterrâneo. Destaque para a região da Marina (old port), onde se encontra o velho porto reformado e por lá você encontrará muitas boas opções de restaurantes, todos com preços elevados e bom serviço, além de ruelas para você agradavelmente  se perder.

por André Mafra, 2017

Para saber mais leia os artigos

 

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Prof. André Mafra

Andre Mafra

  Estudioso da área de culinária desde 2010, dedica-se a pesquisar e estudar sobre alimentação e especiarias. Realizou viagens aos… Continue lendo.

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