Publicado em 08/09/19

8 de setembro de 1521, armada de Fernão de Magalhães desembarca em Sevilha

Vista da Catedral de Sevilha

Magalhães e o Pacífico

Fernão de Magalhães, o célebre navegador português que circum-navegou o planeta a mando da coroa espanhola, também sofreu, junto de seus homens, sérias dificuldades em alto-mar, sofreu com a fome, as doenças, frio intenso e com temperaturas extremas.  Em busca das únicas fontes de cravo e noz-moscada no planeta, as ilhas Molucas, ele traçou um trajeto certo, porém extramente longo, atravessando o continente sul-americano pelo sul. Chegar lá significaria garantir o monopólio do comércio dessas caras especiarias, um impacto tão grande para a coroa espanhola quanto a descoberta de Vasco da Gama para os portugueses. Mas isso não seria fácil.

Mapa de Magalhães
Mapa de Magalhães retirado do site www.areliquia.com.br

Um dos cronistas[1] da viagem de Magalhães conta que os biscoitos, parte da ração dos navegadores, foram reduzidos a pó e infestados de vermes, com um fedor de urina de rato insuportável. A fome era tanta que chegaram a cozer o couro de vaca usado na estrutura da embarcação para tapear o estômago, porém, exposto às intempéries da viagem, como sol e chuva, o couro endurecia de tal forma que necessitava ficar de molho por quase cinco dias.

Em comparação com o tenebroso Oceano Atlântico, as águas do Oceano a oeste da América do Sul singradas por Magalhães foram chamadas de pacíficas. Quando chegaram às Ilhas Filipinas, porém, o cenário mudou e os índios que Magalhães encontrou não se mostraram nada pacíficos. Principalmente após tentar subjulgar os nativos à sua tribo aliada. O navegador e seus homens, cerca de 40, pouco puderam fazer com suas armas contra os mais de mil e quinhentos índios inimigos que os esperavam, em uma emboscada, na Ilha de Mactam.

A desgraça começou no desembarque: devido à presença de uma barreira de corais, os navegantes tiveram que se deslocar com água na cintura, sob uma chuva de pedras a recepcioná-los. O forte guerreiro português teve a perna direita atravessada por um flecha, a mando do reino de Castela[2]. Os indígenas perceberam que não adiantava mirar a resistente armadura europeia, então seu braço foi rasgado com um golpe de estaca. Outro golpe atingiu a sua perna esquerda, forçando-o a cair de bruços e, então, ser cercado por uma multidão de índios que trespassam seu corpo com inúmeras flechas. Era o fim de um dos maiores nomes da navegação mundial. Os companheiros sobreviventes tentaram negociar mercadorias em troca do corpo do navegador português, mas tiveram o pedido de resgate para as devidas homenagens e ritos póstumos negado.

Além das longas jornadas e dos violentos conflitos, muitas vezes corpo a corpo, os métodos de combate aos ferimentos eram limitados. Em outra triste situação, D. António, sobrinho de Afonso de Albuquerque, homem forte da coroa portuguesa na Índia, recebeu uma flechada em um dos joelhos quando em combate nas imediações de Goa. Na ocasião, não havia comida e remédios suficientes a bordo –. Nos primeiros anos do século XVI, restava aos feridos o tratamento à base de unguento[3] e técnicas do gênero. O jovem garoto, 24 anos, querendo evitar os horrores do processo de amputação disponível, não resistiu e veio a falecer após dias de enorme sofrimento.

Após muito dificuldades em 8 de setembro de 1521, a  armada de Fernão de Magalhães completa a extensa viagem de circum-navegação por meio da coroa espanhola desembarcando em Sevilha.

[1]       Antonio Pigafetta, cronista veneziano que acompanhou Magalhães em sua viagem a o redor do mundo.  Citado por Queroz Velloso em seu Fernão de Magalhães – A vida e a viagem, pág. 78.

[2]   Fato nunca esquecido pelos seus compatriotas, para muitos foi considerado um traidor. O próprio Camões em sua genial Lusíadas no canto X, 140, L&PM, pág. 320, alfineta: Ao longo desta costa, que tereis. Irá buscando a parte mais remota. O Magalhães, no feito, com verdade, Português, porém não na lealdade.

[3]    Unguento é um preparado com ervas que tem como base uma substância gordurosa que pode ser gordura de porco, por exemplo.

Para saber mais sobre  o tema:

  1. Cronologia [Descobrimentos] 10 de agosto de 1519, Parte de Sevilha a armada de Fernão de Magalhães rumo ao Oriente.

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Autor
Prof. André Mafra

Andre Mafra

  Estudioso da área de culinária desde 2010, dedica-se a pesquisar e estudar sobre alimentação e especiarias. Realizou viagens aos… Continue lendo.

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