Publicado em 23/03/16

Veneza – A cidade dos Mercadores

 Veneza – A cidade dos Mercadores e a herdeira de Constantinopla

Com personalidade ainda fortemente ancorada no passado, Veneza, na Itália, foi palco de inúmeros acontecimentos relevantes no comércio mundial. Hoje, a cidade velha resume-se a uma grande bolha turística, onde nem mesmo o próprio veneziano consegue viver. Veneza tornou-se um espetacular museu inundado a céu aberto, cujo movimento das marés leva, anualmente, 20 milhões de turistas a desembarcarem pela manhã e, ao fim da tarde, na maré baixa, retornarem ao continente, em busca de hotéis mais econômicos.

Ponte Rialto, Veneza
Ponte Rialto, Veneza

A cidade fascina multidões que procuram em seus becos, pontes e canais uma explicação para uma cidade flutuante que resiste aos séculos. A impressão é de que, a qualquer momento, os visitantes vão afundá-la de vez.

Mais poderosa metrópole de sua época, Veneza foi fundada no final do século VII por habitantes do norte da Itália, que enxergaram na região de baías pantanosas e lagunas um local seguro para se instalar, protegendo-se dos bárbaros que assolavam a Europa Ocidental. Havia na região do Vêneto uma forte influência de uma das cidades mais importantes do mundo antigo: Constantinopla, a capital do poderoso Império Bizantino. O coração da Sereníssima República, como Veneza ficou conhecida, pertencia ao Oriente e, desde os primórdios dessa ocupação, intensas relações comerciais foram estabelecidas. A ligação entre Veneza e o Ocidente, da forma que conhecemos hoje, se consolidou somente muitos séculos depois.

Pelas próprias circunstâncias geográficas, os venezianos se desenvolveram na arte da navegação, construíram barcos e lideraram o trânsito de mercadorias pelo leste do Mediterrâneo. Desse fascinante meio comercial e marítimo, surgiu o nome mais importante das navegações ocidentais da época, Marco Polo, principal referência no contato com o extremo e próspero Oriente.

Os venezianos usavam de sua força naval e excelente logística para o transporte de exércitos cruzados, mercadorias e provisões. Detinham um know-how invejável para a construção de embarcações, além de manufaturas como tecidos, madeira, cerâmica e vidro, este último pelo qual ainda se destacam. No período das primeiras Cruzadas, seus serviços marítimos foram bastante úteis para a causa cristã, garantindo o deslocamento de soldados para as terras sagradas no Oriente.

Veneza ganhou importância e passou a reinar absoluta no Mediterrâneo. Seus mercadores foram os responsáveis por garantir o crescente fluxo de exóticas e caras mercadorias de diversas partes do Oriente para a Europa, entre elas peixes do Mar Negro, trigo da Rússia meridional, vinhos da Ásia Menor, frutos distintos, açúcar e, sobretudo, as caras especiarias[1].

[1]  Julieta Teixeira em Veneza e Portugal no século XVI: subsídios para a sua história, página 16.

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Prof. André Mafra

Andre Mafra

  Estudioso da área de culinária desde 2010, dedica-se a pesquisar e estudar sobre alimentação e especiarias. Realizou viagens aos… Continue lendo.

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